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SEM PERGUNTAS

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Simplesmente vai. Não perguntes o porque. O porque nunca tem resposta capaz, satisfatória até, porque o porque encerra em si mesmo uma pesada incógnita, qual corrente de ferros que tudo prende, até as vezes a própria liberdade. Leva no marear do som da palavra e seu fonema que articula e te conduz a vários estados de alma, sem saber mesmo se é o "correcto" Então só tem que deixar ir e não articular o porque. Porque a gente ama mesmo o belo, o espantoso, o maravilhoso. Que te leva ao estado bruto e puro do êxtase, onde perante o gigantesco da natureza nos sentimos pequeninos qual grão de areia na imensidão imensa do Universo e curiosidade das curiosidades ao mesmo tempo como que em colisão cósmica se sente um ser especial, abençoado e de alma gigante. E nao é, que mais a frente, enquanto o espírito se vai maravilhando com presença da mão do grande Arquitecto, passo a passo vai deixando cair espalhadas pelo chão pedregoso, as penas, as angustias,os pecados...

DREAMER´S SONG

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Sim, já encontrei muitos lugares, muitos caminhos mágicos, que ainda hoje sacramentalmente regresso como se fora penitência e remissão dos eternos pecados terrestres. Há sim, sem dúvida alguma lugares recônditos, perdidos nos mapas e actuais coordenadas, que só entre os eternos viajantes do tempo, se sussurra o nome, com medos que ouçam e de tanto percam a áurea que carregam por séculos e séculos. Basta procurar uma montanha, que bem la dentro dela, existe feitiço bom, magia  que canta e encanta. Há Pitões das Júnias, bem la na pontinha do norte de Portugal, na mítica terra barrosã de Montalegre, a irmã colocada paredes meias com a gémea espanhola Rio de Onor, há as aldeias de xisto na serra do Açor, ou da Lousã com o Piodão, Foz de Égua, Talasnal, temos a serra da Freita com Covas do Rio, Aldeia da Pena, Covas do Monte. Temos Marialva, Sortelha, Penedono, Trancoso, Castelo Rodrigo, Almendra. Drave, Regoufe na Serra de S Macário locais que sempre nos chamam todos os anos...

TALHA DOURADA

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Eu, hoje falei ao Sol para deixar de fazer belezas à frente da minha porta. Ele, não me ouve não, ele teimosamente, se pendura lá na frente, no alto da colina incendiando os verdes pinhos para além de transformar o azul em talha dourada, de mais refinado mestre. E teimosamente, ele o Sol, faz pinturas assim a frente do meu Céu Todo o dia, venham os frios, regressem as andorinhas, Ele me faz sentir que há mundo mágico, lá bem atras do arco-irís __ Imagem byGeorgyPhoto´s (C)

Do velho freixo

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Do velho freixo,  bastante esburacado, se fez novo e nasce a pequena Vila de Freixo de Espada a Cinta. Terra pequena, porem muy nobre, por dois dos mais importantes reis D Dinis e D Manuel, que lhe dedicaram e melhoraram seu castelo, hoje nada resta, a Torre do Galo, e a enormidade de uma bela igreja matriz, a praia da Congida Pode ate ser, como se ouve amiúde, terras do fim do mundo, atras do sol posto, onde judas perdeu as botas. Vale apena perder as botas por lá, ver a grandiosidade do Douro no Penedo Durão, as arribas do Douro Internacional, calçada de Apajares, pinturas rupreste do Mazouco Pode ate ser mais que queiram atribuir, mas é terra de gente grande, de alma gigante, que sempre contaram com eles proprios, que afirmam a Portugalidade daquelas paragens longinquas, mesmo contra os belicosos vizinhos de Castela e Leon. Ainda hoje, mantem o limite de Portugal, que o nosso bom e velho Guerra Junqueiro, melhor o.pintou, assim o poetou.

O AMULETO DA SORTE

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Nem a ferradura, qual símbolo de proteção divina, que traz cravada a ré a defendeu da triste sina da morte lenta e agonienta, nos braços aquáticos do seu amor. Amor que foi a razão do seu nascimento, sua vida enquanto barca que sulcava vaidosa as águas douradas do Rio Douro. Que carregou no seu bojo famílias inteiras, de uma para outra margem. Seus sonhos embalou na suave correnteza do rio, em noites de Lua Cheia. Caregou miríades de objectos, cousas e lousas, animais porcos e tais, galinhas e muito mais. Do Porto também carregou pipas do doce mosto, do vizinho de Mesao Frio, para a feira e festa no mosteiro de Calquere. Ahhh...o Toino, miúdo traquina filho do meu mestre, foi gerado aqui no fundo do chão. Foi em noite escura, como convinha, as estrelas tinham .se apagado e a Lua discreta foi se esconder atrás daquela montanha, lá ao fundo, para as bandas da Régua. Ouvi dizer a mãe em conversa com a vizinha, em viagem para a outra margem. Na exuberante paisagem verde que rode...

DRAVE - CRONICA DE UM LUGAR MAGICO

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Em verdade, dirão alguns e até com alguma razão, que Drave não tem nada de especial.  Um lugar, uma aldeia, uma historia vazia de gente.  Mais um caminho, dos milhares existentes em Portugal, mais uma jornada. Mas, há sempre um mas, digo que essas pessoas não carregam nesta jornada a áurea mística e misteriosa que sem darmos por isso, invade nossa alma nosso Universo interior. Sim quem la foi e para alem da mochila, sentiu o peso daquele silencio ensurdecedor, cravado como espinhos no recôndido daquele estreito vale, nesga de terra onde os antigos habitantes arrancavam sustento, e onde a ribeira de Palhais, é o unico ser vivo, que rumoreja de pedra em pedra, para lá à frente se esparramar com estrondo em sucessivos açudes, agua que movia as mós dos moinhos, para a farinha do pão nosso de cada dia. Vida frugal, parca de recursos. Mas vidas plenas de humanidade. Das casas de xisto, abandonadas, semi-destruidas, destelhadas, ouve-se estranhos ruídos, como que...

DO PINHÃO ATE AO SONHO

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A LINHA É TUA "Testemunhas silenciosas, emudecidas, gritam sua solidão, no definhar agoirento, em lento sofrimento, das linhas em retas, curvas...tão sinuosas. E o tempo, que não para...não, inexoravelmente...tic..tac..tic...tac... Do resfolgar da negra maquina, besta possante, que fumega pelas narinas, quais fantasias, perfeito dragão. Do alegre sibilo do apito, que o mais incauto, chama, à razão.... a atenção. Em pouca terra... pouca terra subia as ingremes encostas da montanha das terras do Norte Terra do herói anónimo, que a força inumana do seu braço, em socalcos....esventrou, aquelas paisagens para sempre marcou, Levadas de agua, rasgou, em pinceladas verdes deixa ver as parcelas, até à fimbria do rio, que de seu nome, Deu nome a tua Linha... a Linha do Douro" ____ Texto e foto (Pinhão/Capital Vinho Porto) ........ byGeorgyPhoto´s (copy rights)