A CRONICA DA MONTANHA – PITOES DAS JUNIAS
Por aqui, a manhã nasceu serena, embora de céu púmbleo, ou cor de chumbo, em que parece ameaçar chuva, mas não. Sente-se no ar uma serenidade e paz, vinda sabe-se de onde, talvez por ordem do Universo. Sensação gostosa que traz a fragrância doce e singela das pequeninas flores silvestres que mesmo em neste tempo, teimam em resistir aos primeiros frios que varrem as carvalheiras, já tenuemente pintadas e vestidas de roupagens outonais. Eles são são os amarelos, alaranjados, com toque aqui e ali de castanhos retorcidos pelo frio enregelante da madrugadas. Um odor inebriante que impregna o ar á volta de mim As vezes é tão bom ter o nosso pedaço de chão, com as "nossas" árvores em que até a Clarisse e Tenório, casal de passarinhos habitantes dos caminhos de Outono na montanha do Geres, me espreitam, chilreiam nervosos pela intrusão com o rasgar do silencio, só amaciado pela brisa fria do Norte, que desce de lá das fragas e Picos como o de Fonte Fria, Pico Nevosa...