A CRONICA DA MONTANHA – PITOES DAS JUNIAS



Por aqui, a manhã nasceu serena, embora de céu púmbleo, ou cor de chumbo, em que parece ameaçar chuva, mas não.
Sente-se no ar uma serenidade e paz, vinda sabe-se de onde, talvez por ordem do Universo.
Sensação gostosa que traz a fragrância doce e singela das pequeninas flores silvestres que mesmo em neste tempo, teimam em resistir aos primeiros frios que varrem as carvalheiras, já tenuemente pintadas e vestidas de roupagens outonais.
Eles são são os amarelos, alaranjados, com toque aqui e ali de castanhos retorcidos pelo frio enregelante da madrugadas.

Um odor inebriante que impregna o ar á volta de mim
As vezes é tão bom ter o nosso pedaço de chão, com as "nossas" árvores em que até a Clarisse e Tenório, casal de passarinhos habitantes dos caminhos de Outono na montanha do Geres,  me espreitam, chilreiam nervosos pela intrusão com o rasgar do silencio, só amaciado pela brisa fria do Norte, que desce de lá das  fragas e Picos como o de Fonte Fria, Pico Nevosa, as Gralheiras,  que enxameiam a paisagem, como sinaleiros e titãs,  guardiãs do tempo e da sabedoria.
São caminhos de Outono, em um Domingo azul de Novembro, que me levou meu espirito a voar como aquele casal de passarinhos.
As vezes é uma delícia ir por aí, em liberdade total, pela montanha.

Pitoes das Junias 2017.11.11

Comentários

  1. Um texto enamorado dos muitos caminhos encantados que os caminheiros percorrem até chegar à capelinha de S.João da Fraga. A embelezá-lo, a excelência de uma belíssima foto. Parabéns Sr. fotógrafo.

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