SETE LAGOAS CABRIL GERÊS


CRÓNICAS DA MONTANHA - XX





"Que me perdoem os céticos, os mais descrentes e os mal-entendidos.
Ele há coisas do diabo, coisas do além, que não tem explicação muito menos razoabilidade.
Melhor não diria o nosso prosador mor Aquilino Ribeiro, são Terras do Demo, que assusta e afugenta o menos afoito.O mais cobarde recua, de olhos esbugalhados de tanta maravilha, de beleza estonteante, que quase cega.
Aquelas paragens só podiam ser semeadas em sitio inóspito, inacessível ao mais comum dos mortais, para que nada fosse viciado, adulterado, na lei imutável da natureza que nada deve ser alterado artificialmente.
Mas sim, seguindo o ciclo lunar milenar , o cumprir inalterável dos tempos, das estações que tudo alteram, que tudo constroem, que tudo mantém imutável.
Dos caminhos estreitos apertados por enormes monstros de granito, quase a cerrar o passo, como titãs guardiãs da virgindade daquelas terras, vão bordejando precipícios causadores de vertiginosas vertigens, ao deitar o olhar lá para baixo para o fio de agua que corre, é rio, prenhe de vida, saltando alegre de cascata em cascata , de pedra em pedra.
Desce em branca espuma em direção ao sul, deixando o seu leito de nascença, terra de vida, a montanha que o viu nascer.
No sei leito percorrido, antes de sumir na linha longingua do horizonte, espraia-se por piscinas naturais na rocha, que ajudou a alisar e majestaticamente como um Rei, nos oferta, a nos simples mortais, a beleza intemporal dos tempos.
Sete lagos, sete lagoas, de um verde esmeralda puro, mágico, de não acreditar que nossos olhos vêem.

Ele há o sete, o numero perfeito. 
São os sete dias da semana.
Os sete mares.
Os sete continentes.
As sete saias.
O fim de um ciclo de vida de 7 anos.
As sete esferas celestiais.
Os sete véus, as sete pétalas de rosa.
A lagoa das sete cidades.
E há as SETE LAGOAS do Cabril, em pleno Gerês, juntinho à singela aldeia do Xertelo, que na sua simplicidade significa deserto.
São lagoas de aguas secretas, que encerram a essência própria vida.
Aguas verdes de batismo, de pureza e de bendição.
As vezes não basta ver e passar como cão por vinha vindimada
Às vezes é preciso parar, olhar, isolar-se e fotografar com os olhos do coração..
Privilégio que não está ao alcance de muitos.
Só eu sei, porque não fico em casa.
Ás vezes é bom caminhar na montanha"


__ Texto e imagens (Sete Lagoas/Cabril)
__ Imagens byGeorgyPhoto´s
(direitos de autor e partilha)

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